7 de nov de 2010

"Equilíbrio econômico leva um Brasil mais forte ao G20"

Economistas enxergam país como um dos principais debatedores da guerra cambial na reunião de Seul

Ana Clara Costa
 
Apesar de ser um problema que envolve, prioritariamente, apenas duas nações –  Estados Unidos e China – a guerra cambial terá o Brasil entre seus principais debatedores na reunião do G20, que se inicia no próximo dia 10, em Seul, na Coreia do Sul.

O discurso de que os países deverão adotar uma estratégia alinhada para controlar as discrepâncias entre as moedas é defendido publicamente com fervor pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e possui o aval de outros líderes mundiais, como o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel. Na avaliação de Tito Cordella, economista do Banco Mundial para o Brasil, a união de pontos de vista entre os vinte países é imprescindível. “É importante que, durante a reunião, o Brasil se posicione como uma das principais vozes e que os países definam quais papeis terão para restabelecer o equilíbrio”, afirma.


A expectativa é de que a comitiva brasileira, encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente eleita Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegue a Seul com um plano já pronto para apresentar aos líderes mundiais que estarão no encontro – e que apresente estratégias para resolver a questão cambial. “O fato de o Brasil ter passado bem pela crise e ter continuado com crescimento ascendente o coloca em uma posição de referência. É esperado que ele apresente algo para combater a valorização das moedas emergentes”, diz o economista João Branco, do núcleo de Relações Internacionais da ESPM-RJ.


Alinhamento entre Brasil e Europa –
Se, por um lado, EUA e China trocam farpas e tentam, com ações individuais, controlar a oscilação de suas divisas, os países que sofrem as sequelas dessa guerra, como o Brasil e as nações europeias, possuem opiniões convergentes. “Europa e Brasil são solidários a que se adote uma conduta sistêmica para resolver a questão cambial. Já EUA e China parecem ignorar os efeitos que isso pode causar no mundo”, afirma Louis Bazire, presidente do banco BNP Paribas no Brasil e da Câmara de Comércio França-Brasil.

A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, em entrevista ao Wall Street Journal, mostrou-se crítica à política americana de afrouxamento quantitativo (quantitative easing) – que prega a injeção de dólares no mercado por meio da compra de Títulos do Tesouro americano. Na avaliação da ministra, os reflexos disso sobre o euro ameaçam a economia de todo o continente, e não apenas dos países mais debilitados, como Portugal, Grécia e Irlanda. “Há uma necessidade imperativa de repensar o sistema monetário internacional e os mecanismos de cooperação”, disse Christine.


Pouco poder de voto –
Apesar de ser considerado um dos principais debatedores do encontro, o Brasil mantém a décima posição na lista dos países mais poderosos do G20. A lista é elaborada com base no poder de voto de cada nação e o Brasil é, atualmente, o membro dos Bric que menos poder possui. A China será o terceiro integrante mais poderoso do grupo, com mais poder de voto que Alemanha, França e Itália.

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